ACIM recebem mais quatro candidatos que disputam eleições

Na reta final das eleições, a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM) recebeu na última segunda-feira (dia 24) quatro candidatos: à vice-presidência da República na chapa do empresário João Amoêdo (Novo), Christian Lohbauer, o candidato Alex Canziani (PTB), que está no quinto mandato de deputado federal e disputa uma das duas cadeiras do Paraná no Senado, o deputado federal Ricardo Barros (PP) que tenta mais um mandato e a governadora Cida Borghetti (PP), que disputa o cargo de governador.

Cida foi a primeira a apresentar propostas. Ela defendeu um masterplanejamento para o Paraná para os próximos 35 anos. “Os fiscais desse planejamento estratégico serão os paranaenses. Ele não poderá ser mudado pelos próximos governadores”. Em sua explanação, a candidata destacou que em cinco meses de gestão está aprovando o início de obras importantes que eram esperadas há décadas, como a duplicação da 21 quilômetros da rodovia PR-317, que liga Maringá a Iguaraçu. “Já garantimos os R$ 200 milhões de recursos para essa obra. Agora o projeto está nas mãos do DER (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná) para as tratativas do processo licitatório, que será fe ito por meio de Regime Diferenciado de Contratação (RDC). Esse projeto vai possibilitar o desenvolvimento da região”. Ela também destacou que nos próximos dias vai assinar a autorização para a execução das obras do viaduto próximo ao Catuaí Maringá. “Vamos também inaugurar nos próximos dias cem novos leitos no Hospital Universitário de Maringá. Ao assumir o governo também coloquei em funcionamento o primeiro helicóptero para monitoramento de fronteiras”.

A candidata destacou ainda que está em funcionamento o Governo Digital, que oferece 250 serviços para a população, por meio da internet, como a segunda via da carteira de motorista, licença ambiental e cópia do boletim da rede estadual. Outra medida adotada enquanto governadora foi a instalação de 150 novos botões de pânico para a defesa da mulher e a ampliação da patrulha Maria da Penha, para proteger as mulheres de violência física e verbal. Depois ela destacou o carinho que tem por Maringá. “A cidade me recebeu como filha há quase 30 anos. Aqui me casei, tive minha filha, fui presidente da Provopar com o Ricardo Barros recém-eleito prefeito de Maringá. Esta cidade me fez por três vezes deputada estadual e federal, depois vice-gove rnadora e agora governadora. Tenho gratidão eterna”. Por fim ela destacou que tem visitado algumas das regiões com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), cuja realidade é bastante diferente de Maringá.

Na sequência foi a vez de Lohbauer, que disputa a vice-presidência da República, apresentar propostas. Ele destacou que é a terceira vez que o partido Novo se apresenta em Maringá nestas eleições, já que além dele, João Amôedo esteve duas vezes na cidade. “Isso não é coincidência nem acidente. É porque Maringá é modelo, tem empresas muito competentes, principalmente no agronegócio e tem perfil de gente empreendedora”. Depois o candidato destacou a trajetória e valores do Novo. “Não chegamos aqui hoje, nem somos produto de um oportunismo de 2018. Nosso trabalho começou em 2010. Foi difícil registrar o partido. Levamos cinco anos. E hoje nosso estatuto faz seleção de candidatos. É pr eciso ser aprovado em uma prova de direito constitucional. Não recebemos fundo partidário e pregamos o fim dele. Nosso partido vive do dinheiro de 25 mil brasileiros voluntários, que cobram tudo o que a gente faz”. Ainda na explanação, ele destacou que quem é dirigente do Novo não pode ser candidato, e vice-versa. “Nossos candidatos só podem ter uma reeleição, está no estatuto. Tudo isso nos diferencia dos outros 34 partidos do Brasil”. Ele ressaltou que o Novo tem 400 candidatos a deputado em 19 estados e destacou que enquanto algumas campanhas para presidente da República deverão custar R$ 40 milhões ou mais, a dele e de Amoêdo vai custar R$ 6 milhões. “Não fomos convidados para nenhum debate televisivo por causa de uma legislação absurda. Temos 15 dias para conseguir ir para o segundo turno numa eleição c om evidente polarização entre dois candidatos”. Questionado, Lohbauer defendeu mudanças na gestão do Incra e Funai, “para acabar com o overlap de propriedades no Brasil” e disse que ao contrário do que é apregoado, Amoêdo não é o candidato dos banqueiros, porque trabalhou no mercado financeiro. “Ele foi um bancário que chegou à vice-presidência de um banco”, explicou. Lohbauer, inclusive, defendeu uma maior concorrência no mercado financeiro. Questionado sobre a falta de base na Câmara e Senado Federal, o candidato destacou que mesmo a ex-presidente Dilma Rousseff tendo o apoio de 400 deputados, sofreu impeachment. “No Congresso e no Senado é preciso uma negociação permanente e individual”, destacou.

O terceiro candidato a explanar propostas foi Alex Canziani. “Estou no quinto mandato de deputado e tenho procurado ser a ponte entre a política e a sociedade. Tenho dado uma contribuição para a Educação, de acordo com os meus valores. Cerca de 55% das crianças de oito anos de idade não sabem ler nem escrever. Isso é uma caos para o país e para as futuras gerações. De cada dois jovens que entram no ensino médio, um não conclui”. Ele destacou que o motivo que o levou a ser candidato a uma vaga de senador é para qualificar melhor os representantes do Paraná. “Não é possível que os nossos representantes trabalhem contra o estado, e isso não é de hoje. Quero estar em Brasília para votar as matérias que o Brasil precisa. Precisamos urgentemente fazer a reforma previdenciária, porque estamos indo para o caos no orçamento da União. O caos completo virá em 2020 ou 2021 se a reforma não for feita. Quanto mais demorarmos para fazer a reforma, mais dura ela será”.

Natural e morador de Londrina, ele defendeu que as universidades públicas cobrem mensalidade de estudantes que tenham condições. “Por que meu filho tem que estudar em universidade pública se a vida inteira estudou em colégios caros?”, questionou, ressaltando que atualmente as faculdades públicas podem cobrar mensalidade de curso lato sensu. Sobre a reforma política, ele disse que é favorável ao voto distrital misto, e também disse que é favorável a privatizações, mas não saberia dizer se defende a privatização da Petrobras. “Tem uma estatal no Rio de Janeiro que foi criada para fazer o trem-bala, que nunca saiu do papel, mas essa empresa pública funciona”.

O quarto e último candidato do dia foi Ricardo Barros, que concorre a uma vaga de deputado federal novamente. Ele destacou que tem orgulho de representar Maringá nos últimos anos. “Quando se asfalta uma rua, oferece água tratada e esgoto, você melhora a vida das pessoas. No Paraná há 160 cidades que não têm um metro de esgoto. Queremos que a iniciativa privada faça isso, por meio de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), para depois a Sanepar assumir”, planeja.

“Política não é atividade fácil. Ela expõe a família e a gente trabalha de domingo a domingo, mas tenho enorme orgulho disso e gosto. Será meu sexto mandato de deputado federal. Passei dois anos no Ministério da Saúde e não houve nenhum questionamento do meu trabalho na Justiça. Peço a oportunidade de continuar na Câmara para honrar aqueles que me escolheram. Conseguimos recursos a fundo perdido para Sarandi para aumentar de 20 para 60% a rede de esgoto”. Ele destacou a importância de aumentar os investimentos na Educação e que o “Sistema Único de Saúde é o melhor sistema universalizado de saúde do mundo, mas precisa de uma boa gestão e de informatiza&cce dil;ão para não ter fraude e desvios”.

E criticou os privilégios públicos. “As estatais são corporativas, e isso é um problema. Elas não estão preocupadas com os interesses pelos quais foram criadas. O Judiciário é um dos maiores exemplos da criação de privilégios. O juiz ganha R$ 5,6 mil livres de impostos para morar na própria casa. Temos que enfrentar esses privilégios”. Ao final, questionado sobre a reforma política, ele disse que para o projeto sair do papel é preciso que as novas regras passem a valer para daqui 20 anos. “Porque cada deputado olha sua perspectiva de acordo com a nova regra”, destacou.
Desde o início da campanha eleitoral, a associação já recepcionou 17 candidatos a cargos públicos nas eleições de outubro deste ano, incluindo os quatro desta semana. Os candidatos devem seguir o regulamento, garantindo o mesmo tempo de exposição de projetos. Quem concorre ao cargo de presidente da República terá 40 minutos de apresentação de propostas e outros 20 minutos para responder aos questionamentos da plateia. No caso dos pleiteantes a governador do Paraná e senador, serão 30 minutos de exposição e 20 minutos de respostas a perguntas. Já os candidatos a deputado federal e estadual terão 15 minutos de exposição de projetos e 10 minutos para esclarecer dúvidas.