Dia Nacional de Doação de Órgãos reforça importância de conversar com a família sobre o assunto

Perder uma pessoa próxima é sempre difícil e delicado, mas a dor da perda pode ser amenizada por um gesto que pode salvar outras vidas: a doação de órgãos. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Paraná lidera o ranking nacional de doações,
mas ainda é preciso avançar em ações de conscientização que estimulem o diálogo sobre o assunto, afinal, de acordo com a legislação brasileira, após a morte, quem tem o direito de optar pela doação é exclusivamente a família, ou seja, é fundamental que as pessoas expressem o desejo de serem doadoras.

A comunicação desse desejo pode salvar vidas, como foi o caso do advogado Gabriel Ciochetta, de 33 anos, que nasceu com fibrose cística, uma doença genética que causa o acúmulo de secreções nos pulmões. Ele sempre fez tratamento, mas a partir de 2012 a condição de saúde se agravou
muito e os médicos o aconselharam a fazer um transplante. “Esperei por um ano e três dias e finalmente chegou a minha vez de receber os pulmões. O procedimento foi feito em Porto Alegre e correu tudo bem”, diz.

Com o transplante, Chiochetta que já não conseguia sequer ficar em pé, voltou a ter qualidade de vida e hoje é grato por um gesto que mudou a vida dele. “O transplante me deu condições de voltar a trabalhar, de sair, construir minha família e principalmente me devolveu a alegria e o prazer de viver”, di
z.

De acordo com dados da 15ª Regional de Saúde, na macrorregião de Maringá, que compreende 115 municípios paranaenses, 26% dos familiares de pacientes com morte cerebral que atendem aos critérios para doação, recusam a retirada dos órgãos. “A recusa se deve, na maioria das vezes, por falta de
informações. Por isso, o trabalho dos profissionais da saúde é orientar e acolher as famílias enlutadas e dar as informações corretas para que elas possam optar ou recusar a doação com mais clareza”, explica o nefrologista cooperado da Unimed Maringá, Luiz Eduardo Bersani Amado.

Segundo o médico, existem alguns mitos que envolvem a doação que devem ser esclarecidos, por isso, o dia 27 de setembro foi instituído como o Dia Nacional da Doação de Órgãos, uma data para tratar do assunto, tirar dúvidas e estimular o diálogo entre as famílias. Veja alguns mitos que at
rapalham na decisão:

– Doação inviabiliza o velório. O tempo de captação depende dos órgãos que serão retirados. Na macr
orregião de Maringá existem profissionais habilitados para fazer a retirada de rins, fígado, válvulas, pâncreas e córneas, mas para a captação de coração, pulmões, ossos e tecidos, por exemplo, é preciso que uma equipe de outra cidade seja deslocada e, isso pode fazer com que o processo seja mais lento, porém, a família pode optar por esperar ou não.

– O corpo fica deformado, por isso, usa-se o caixão lacrado. As equipes médicas que fazem a retirada dos órgãos e os profission
ais que preparam os corpos para os velórios são responsáveis por manter a aparência em condições condignas, ou seja, faz parte do procedimento garantir que não haja prejuízo em relação a isso. Em um velório, sequer é possível notar se houve a doação, por isso, não é verdade que o caixão precisa estar lacrado.

– A retirada é feita com a pessoa viva. Em hipótese alguma isso acontece. O que as pessoas confundem é que quando há morte cere
bral, o restante do corpo continua funcionando por um tempo, então a pessoa continua respirando e a temperatura corporal é mantida, mas o quadro de morte encefálica é incompatível com a vida.

– O órgão pode ser vendido em vez de ser doado. No Brasil existe um aparato estruturado para a doação de órgãos q
ue garante credibilidade no processo de captação, logística e transplante. Todo órgão doado é imediatamente direcionado a um paciente que está previamente na fila de espera e, em hipótese alguma, é considerada a venda ou qualquer tipo de vantagem a determinado paciente.