Cães da PM fazem, em média, seis buscas por semana

  O canil do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM) de Maringá conta com doze cães, sendo seis adultos atuantes e seis filhotes (menos de um ano) em treinamento. A quantidade de cachorros em fase de preparação acompanha a expectativa de aumento da participação dos cães em diversas demandas. Atualmente, os animais são solicitados, em média, seis vezes por semana. 
        O 2º sargento do 4º BPM, Wagner Zequim Lemes, que é responsável pela equipe do Choque/Canil, informa que do ano passado para cá aumentou de forma expressiva a atuação dos cães em operações de Maringá e região. “Os policiais estão conhecendo e confiando nessa ferramenta, que é muito eficaz, e isso faz com que precisemos de mais cães”, justifica ao citar que a principal atuação do s caninos é na busca de entorpecentes e de pessoas. 
        Em relação às raças, seis são Pastor-belga Malinois, três são Bloodhound, um é Pastor Alemão e um Rottweiler. Lemes explica que o treinamento começa quando o cão tem cerca de 45 dias de vida e segue ao longo de toda atuação do animal. O trabalho em operações policiais, porém, é iniciada somente a partir de um ano e meio ou dois anos de preparo.< /font>
        O Conselho Comunitário de Segurança de Maringá (Conseg) já investiu em cursos para que os policiais aprimorem os treinamentos e, em agosto de 2018, fez a doação de três filhotes da raça Pastor-belga Malinois para o canil. “Uma fêmea, porém, tem demonstrado ser medrosa. Mesmo que a raça seja apropriada para o treinamento, pode acontecer de o animal ter personalidade que não se adapta à função poli cial, então fazemos a troca no criadouro fornecedor porque não forçamos a aptidão no animal”, explica. 
        Apesar da importância de o cão ter personalidade corajosa, Lemes destaca que para o animal tudo não passa de uma brincadeira. “Por meio de técnicas, apresentamos o cheiro do entorpecente e ensinamos os cachorros a gostar de algum brinquedo. Então, ele sabe que se indicar o local que tem o cheiro, ganha o brinquedo”, garante o sargento, esclarecendo que não colocam os cachorros em contato direto com nenhuma droga. 
        Os cães também são preparados para a modalidade de busca e captura de pessoas. Há o método passivo, em que o animal somente indica onde o indivíduo está, e a captura ativa que é quando também faz a mobilização. “Geralmente utilizamos essas técnicas para localizar meliantes fugitivos. Isso é possível porque o ser humano sempre deixa rastros, como células e pelos. Então, basta o animal che irar onde a pessoa esteve para identificar o caminho que trilhou. É realmente surpreendente o potencial de faro”, acrescenta.
        Já a busca de corpos por cães farejadores, como ocorreu em Brumadinho/MG, exige outro tipo de treinamento, que é realizado somente em canis do Corpo de Bombeiros. “Após o falecimento o cheiro do corpo muda, então é preciso um preparo específico para garantir mais eficiência. Em situação de desastre como o de Brumadinho é fundamental esse treinamento”, explica Lemes.
        Há casos, porém, em que o cão pode auxiliar mesmo sem a capacitação própria para identificar corpos. “Em Campo Mourão teve uma situação em que um de nossos cachorros chegou a 40 metros do local onde o indivíduo faleceu. Então, os policiais sabiam que o corpo estava perto, e encontraram”, exemplifica.

Fotos: Divulgação
Filhotes doados pelo Conseg estão em fase de treinamento