Banco Central corta juros para 2,25% ao ano. E como fica a renda fixa?

Banco Central corta juros para 2,25% ao ano. E como fica a renda fixa?

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu nesta semana a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, de 3% para 2,25% ao ano, o menor patamar histórico para a taxa desde 1999, quando entrou em vigor o regime de metas para a inflação. Foi a oitava redução consecutiva. Mas o que isso significa? Ainda é hora de investir em renda fixa?

Para o economista Roberto Rodrigues, que é gerente de investimento da Sicredi União PR/SP, a redução era esperada pelo mercado. “Com isso, o CDI, principal índice de referência para o segmento de renda fixa, deve ficar em 2,15% ao ano, o equivalente a cerca de 0,1774% bruto ao mês e a poupança renderá 1,58% ao ano. Isso significa que quem aplicar R$ 100 na poupança, ao final de um mês terá R$ 100,13”, diz.

Diante de uma taxa básica de juros tão baixa, com possibilidade de mais cortes até o final do ano, os investidores devem deixar de aplicar em Renda Fixa e buscar rentabilidade em produtos com mais risco? “Depende do volume, prazo e perfil do investidor em relação à propensão e tolerância a risco”, adianta Rodrigues. Para ele, embora a rentabilidade das aplicações de Renda Fixa esteja baixa, essa categoria não pode ser desconsiderada. “Não existe receita ou uma carteira de investimentos ideal para todos”, pondera.

A também economista Ana Goffredo, que é assessoria de desenvolvimento de negócios da Sicredi União, destaca que na hora de investir o brasileiro tem com um dos maiores critérios a segurança. “Para esse investidor, faz sentido diversificar e correr um pouco de risco, obviamente, respeitando seu perfil. Mas do ponto de vista prático, para ele ganhar acima da inflação já é um bom negócio, ou seja, ter um ganho real”.

O investidor conservador pode diversificar a carteira e buscar rendimento acima da Selic, desde que com boa orientação. “Tentar rentabilidade de 1% ao mês exigirá uma exposição significativa a riscos. É possível chegar a esse 1% de ganho ao mês? É, e dá para ganhar até mais. A questão é que quanto maior o retorno, maior o risco. Se o volume investido não for alto, 1% de rentabilidade será excelente, mas não será suficiente para mudar o padrão de vida. Em contrapartida, rentabilidade negativa de 10% em qualquer período dará a sensação de destruição de riqueza, e caso o investidor tenha rentabilidade negativa dessa magnitude, isso pode afetar seu padrão de vida”, destaca Ana.

Rodrigues lembra outro fator favorável à renda fixa: muitos pequenos investidores não têm reserva financeira, e para eles a porta de entrada continuará sendo esse tipo de investimento. “Rentabilidade importa, especialmente para os grandes investidores e para aqueles com perfil moderado e arriscado, mas todos precisam de reserva de emergência e de uma parte dos investimentos, por menor que seja, em renda fixa”.