Maringá Histórica ultrapassa os 50 mil seguidores

Maringá Histórica ultrapassa os 50 mil seguidores
Miguel Fernando, idealizador do projeto Maringá Histórica.

Quem já teve a curiosidade de pesquisar sobre as origens da cidade, certamente, se deparou com um site muito conhecido pelos maringaenses. Trata-se do Maringá Histórica, uma das maiores plataformas de preservação de uma cidade em todo o país.

Sua primeira postagem foi em 16 de abril de 2009 e resultou em pouco mais de 3 mil visualizações. Hoje, contando com quase 2 milhões de visualizações, seu acervo é de 2,8 mil publicações. Todas elas seguem acompanhadas de documentos textuais e/ou imagéticos.

Mas, três meses antes da estreia do site, que nasceu como um blog, o Maringá Histórica iniciou suas atividades com um canal no YouTube, em 19 de janeiro. Os primeiros vídeos publicados foram resultado das garimpagens iniciais acerca de conteúdos ainda inéditos para o grande público.

No entanto, a ideia do projeto surgiu dois anos antes. Seu embrião data do segundo semestre de 2007, depois do então acadêmico de Turismo e Hotelaria Miguel Fernando perceber a ausência de informações sobre o passado da cidade na internet. “Uma professora havia solicitado que um ponto de Maringá fosse escolhido para que pudéssemos desenvolver um pequeno vídeo, resgatando sua história e destacando o seu valor como atrativo. Minha equipe acabou escolhendo a Estação Rodoviária Américo Dias Ferraz, que estava fechada”, conta. Ao buscar por informações sobre aquela estrutura e quase nada estar à disposição com fácil acesso, Miguel Fernando percebeu a importância de criar uma plataforma para desenvolver um processo de educação patrimonial localmente. “Era necessário que nossa história estivesse na ponta dos dedos não só dos interessados, mas do público em geral que precisava descobrir a importância de seu passado”.

Desde então, o Maringá Histórica não parou de crescer e de cumprir seu papel educacional, social e cultural. Muitas de suas postagens trouxeram informações e imagens inéditas até então. Por meio do projeto foi possível identificar personagens em fotos sem informações, conectar pessoas e revelar eventos que ganharam destaque nacional, como foi o caso da postagem com o título “Nascimento inusitado”, de agosto de 2009, que resgatou o momento que uma criança nasceu nos céus de Maringá em 1957, dentro de um avião da Vasp, e que acabou ganhando o nome de Miguel Vaspeano. Quase um ano depois daquela publicação, noticiou-se que Vaspeano havia morrido em um acidente aéreo.

Outra postagem chama a atenção. Em uma série criada pelo Maringá Histórica intitulada “Quem?”, busca-se identificar personagens presentes em determinadas imagens. Em junho de 2010, descobriu-se que junto do então prefeito Silvio Magalhães Barros, em registro dos anos 1970, o grupo musical que posou ao seu lado era conhecido como “Trinta por cento”. Nos comentários, quase todos os membros se reencontraram e relataram suas vidas até aquele momento. Inclusive, destacaram que um dos integrantes havia morrido em um acidente de veículo. Conexões essas que foram possíveis por meio da plataforma.
Com o passar dos anos, além do site e do canal no YouTube, o Maringá Histórica ampliou sua atuação para o Facebook e o Instagram, onde conquistou mais audiência por meio de suas postagens diárias.

Em uma comparação, pode-se dizer que Maringá Histórica engloba cerca de 11,8% da população de Maringá (IBGE, 2019). São mais de 53.500 seguidores em suas redes: Instagram, 19.300; Facebook, 14.200; YouTube, 20.000; além dos mais de 30 mil acessos em seu site todos os meses. Ainda existem grupos no WhatsApp e no Telegram.

O processo de educação patrimonial é a principal estratégia do projeto. “São doses homeopáticas da história local que trazemos ao nosso público”, enfatiza seu idealizador, complementando que são diversas postagens diárias com resgates de eventos e situações pitorescas que auxiliaram na construção da identidade local. “Trazemos pitadas, ora com textos curtos e dinâmicos, ora com conteúdos mais extensos. Mas sempre com relevância coletiva”, ressalta.

Semanalmente são produzidos vídeos para complementar a ação que trouxe uma nova perspectiva para a memória e a história local. Nesses materiais, Miguel Fernando promete ainda surpreender seu público. “Estamos apenas começando este trabalho. Acabamos de digitalizar centenas de vídeos raríssimos, os quais vamos começar a disponibilizar em breve aos nossos seguidores”, comenta.

No site ainda há um campo onde o projeto está disponibilizando na íntegra o seu acervo de revistas e jornais antigos, que foram garimpados por meio de parcerias ao longo dos anos. A ideia é que os pesquisadores tenham maior acesso, por meio virtual, às fontes primárias do passado de Maringá. Miguel Fernando conclui dizendo que a história é recontada todos os dias, em um processo contínuo. “Não estamos blindados aos erros. Sempre estamos aprendendo com pioneiros, pesquisadores e historiadores de nossa cidade”.

O lema do Maringá Histórica justifica sua existência: há história em tudo o que vemos!